A Zapping é uma operadora de TV por streaming chilena que chegou ao Brasil no final de 2023, após comprar a nacional Guigo TV. Ela desembarcou no país com a promessa de fornecer uma experiência focada em resolver um dos maiores problemas do streaming ao vivo: o delay.
O TudoCelular já analisou a provedora no começo de 2024, mas agora chegou o momento de atualizarmos a nossa avaliação e sabermos se houve evolução da empresa depois de dois anos de operações no mercado nacional. A gente te mostra a partir de agora.
Formato do serviço
O formato da Zapping segue o mesmo no fornecimento do serviço que já vimos antes. Ela oferece os canais abertos e fechados pela sua plataforma via streaming e exige uma conexão com a internet para a utilização.
A distribuição é feita pela versão web no seu site oficial; por aplicativos para dispositivos móveis com Android ou iOS; em aparelhos conectados como Roku, Apple TV e Fire TV Stick; ou ainda nas Smart TVs de marcas como Samsung, LG ou as que vêm equipadas com Google TV.
Imagem: Rafael Barbosa / TudoCelular.com
A provedora extinguiu o plano Lite mais barato com os canais abertos e acesso em apenas um dispositivo. Agora, ela oferece a partir do Lite Plus, que tem os sinais abertos, incluindo a TV Globo, os educativos e os de clipes musicais, por R$ 19,90 mensais.
Já o pacote Full é o mais completo da operadora. Este entrega mais de 110 canais a uma mensalidade de R$ 89,90 por mês. Tanto um quanto o outro possuem suporte a cinco dispositivos registrados, com reprodução simultânea em até três aparelhos, desde que conectados em até duas redes de internet distintas.
Essa limitação foi mais uma mudança feita pela operadora em 2025, uma vez que antes ela permitia cinco ao mesmo tempo, desde que em dois endereços diferentes. Ou seja, é uma iniciativa que não se justifica em minimizar o compartilhamento de contas, por haver a restrição de localizações anteriormente.
Grade de canais
A grade de canais da Zapping hoje possui mais de 110 emissoras, um salto dos cerca de 70 da nossa última análise. Mesmo assim, ela continua com uma base similar da que vimos há dois anos, com as emissoras da Globo, as abertas e fechadas de outros grupos, e algumas inclusões pontuais ao longo desse intervalo.
As principais adições foram dos canais Discovery, com documentários segmentados sobre diferentes assuntos. Mas o acordo com a Warner não englobou os sinais de filmes e séries do grupo, como a TNT, o Space, o TNT Series e o TNT Novelas, nem os à la carte da HBO.
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Entre os demais desse gênero, podemos encontrar a AMC, a USA Network e o Megapix como exemplos, porém ainda carece de uma variedade maior nesta categoria. Já as crianças encontram por aqui o Discovery Kids, o Gloob e o Gloobinho como opções.
As emissoras de notícias também estão presentes, como a GloboNews, a CNN Brasil, o BandNews TV, a Jovem Pan News e a Record News. Sem falar na inglesa BBC World News, na americana Fox News, na italiana RAI e na japonesa NHK entre as internacionais.
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Em esportes, você vai encontrar os três canais SporTV, a mais jovem Ge TV e os sinais pay-per-view do Premiere como parte do Grupo Globo. Mas nada do SporTV 4K, que só figurou na grade da empresa durante a Olimpíada de 2024. Também estão presentes no segmento a aberta Xsports, o BandSports, a N Sports e a SportyNet, além da assinatura da SportyNet+.
Mas ressaltamos o caso da ESPN. Você vai encontrar aqui o canal 1, o 2, o 3 e... o 6. Sim, a Zapping ainda possui a ESPN 6, apenas com VTs, e não a ESPN 4, que exibe jogos ao vivo.
Nós procuramos a assessoria da empresa para entender por que não houve uma mudança nisso ao longo do tempo, e a resposta foi que o contrato vigente com a Disney é antigo, quando ESPN 4 e 5 ainda eram FOX Sports, mas que existe negociação para isso mudar em breve. Seguimos no aguardo por novidades.
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Entre os canais próprios da operadora, estão os sinais da Zapping Music. São dez ao todo, cada um com clipes de um gênero musical distinto. Aparecem por aqui um dedicado a rock, outro focado em sertanejo, um com samba e pagode, além de dois com flashbacks de diferentes épocas e o LoFi, que exibe imagens de fundo criadas por IA e canções suaves para relaxar.
Como está sem direitos de transmissão esportivos no momento de produção desta análise, a Zapping Sports não esteve presente na grade da empresa. Ao menos, aparecem os canais Zapping Mix com mosaicos segmentados com quatro emissoras de TV aberta, outro para esportes e um terceiro de notícias.
Interface e recursos extras
A Zapping entrega uma interface que se assemelha muito à utilização clássica de TV por assinatura. Isso porque ela não tem uma tela inicial, com menus e seções até chegar nas emissoras. Basta abrir o aplicativo para ter logo de cara o último canal ao vivo assistido.
Por outro lado, a operadora continua sem oferecer acesso aos conteúdos sob demanda ou mesmo parcerias com streamings próprios das programadoras com vínculo por login. Isso mostra que realmente a empresa quer concentrar as suas atenções apenas nos sinais ao vivo.
Imagens: Rafael Barbosa / TudoCelular.com
Todos os menus não tiveram mudanças desde a nossa análise anterior e podem ser ativados pelos mesmos botões no controle remoto da sua TV. Ao apertar o da direita, você acessa a lista de canais no canto esquerdo e exibe o guia de programação.
Já ao pressionar o da esquerda, surge o Modo Esporte, com informações e estatísticas sobre o jogo em andamento, com direito a linha do tempo dos lances, classificação das equipes, entre outros detalhes.
Imagens: Rafael Barbosa / TudoCelular.com
Para cima, é possível retornar até algum momento anterior da atração no ar. No botão de baixo, aparece uma barra superior com o acesso a todos os recursos fornecidos pela operadora aos assinantes.
E por falar neles, continuam presentes aqui o seletor de qualidade da imagem e o suporte ao codec HEVC, para diminuir o consumo de internet sem perder a definição. Fora o Replay TV, que permite voltar a programação dos canais. Apesar de a operadora prometer um regresso de até sete dias, somente vimos a possibilidade de retornar 24 horas.
Imagens: Rafael Barbosa / TudoCelular.com
Ainda dá para trocar a faixa de áudio para uma alternativa, seja para ver um filme dublado ou legendado com voz original, mas falta aqui inserir a opção de legenda eletrônica para o usuário.
O Modo Turbo também permanece disponível, só que a operadora não retirou a classificação da funcionalidade como “Beta”. Ou seja, apesar de funcional, a tendência é que o recurso seja aprimorado em algum momento no futuro.
Imagens: Rafael Barbosa / TudoCelular.com
A interface para celulares suporta o Picture-in-Picture para deixar uma janela sempre visível no celular. Ela mantém a troca de canais intuitiva, que faz jus ao nome e permite “zapear” pelos canais apenas ao deslizar o dedo para os lados. Em Smart TVs, isso é possível pelo botão seletor de canais normal do controle, enquanto no Fire TV existem os números virtuais na tela como atalhos.
Uma novidade que chegou na Zapping desde a nossa análise anterior está na interface web. Antes ela era simples e apenas mostrava a lista de canais, com atalhos no teclado para digitar as numerações das emissoras e entrar em tela cheia ou mutar o áudio. Agora, a provedora trouxe um visual similar ao da TV, com a inclusão dos recursos como o próprio Modo Turbo e o codec HEVC.
Experiência prática
E como é a experiência na prática de assistir à Zapping? A qualidade de imagem surpreende com uma ótima definição, que não fica devendo praticamente em nada para operadoras de TV paga convencionais.
A imagem tem boa estabilidade sem precisar de uma alta velocidade de internet para isso, ainda mais se você habilitar o codec HEVC, que reduz cerca de 5 Mbps o consumo, pelo que vimos nos nossos testes.
Imagem: Rafael Barbosa / TudoCelular.com
Como já mencionamos, a Zapping busca minimizar um dos maiores problemas do consumo de televisão por streaming: o delay. Aquilo que faz os seus vizinhos gritarem “gol” bem antes de você ver o lance. Mas será que o Modo Turbo tem resultado positivo nisso?
Experimentamos principalmente nos canais que possuem transmissões esportivas, seja com sinal aberto ou fechado. Em todos os casos, notamos a pouca variação do atraso conforme a plataforma.
Imagem: Rafael Barbosa / TudoCelular.com
Nas emissoras abertas, como Globo, Record e SBT, o delay não passou de 18 segundos, com os maiores tempos registrados nas duas primeiras pelo app para Smart TV com sistema Tizen. Já o menor foi do SBT, que marcou 11 segundos tanto no Fire TV quanto na versão web.
Entre os esportivos, o único que passou da média foi a Xsports no Android, com 31 segundos. Nos demais casos, o SporTV, a ESPN ou mesmo os sinais pay-per-view do Premiere não passaram de 20 segundos.
Imagem: Rafael Barbosa / TudoCelular.com
O grande destaque aqui ficou por conta da recente Ge TV. A nova emissora esportiva do Grupo Globo focada no digital apresentou o seu menor atraso na Zapping, em comparação às demais rivais. Ela registrou apenas entre 7 e 8 segundos, a depender da plataforma.
Confira a seguir a tabela com todos os delays da Zapping medidos durante o teste, em diferentes plataformas.
| Smart TV Tizen | Fire TV Stick 4K | Celular Android | Versão web (site) | |
|---|---|---|---|---|
| Globo | 17 segundos | 14 segundos | 17 segundos | 13 segundos |
| Record | 18 segundos | 17 segundos | 15 segundos | 14 segundos |
| SBT | 12 segundos | 11 segundos | 13 segundos | 11 segundos |
| Ge TV | 7 segundos | 7 segundos | 8 segundos | 8 segundos |
| Xsports | 19 segundos | 17 segundos | 31 segundos | 18 segundos |
| SporTV | 13 segundos | 11 segundos | 13 segundos | 9 segundos |
| ESPN | 15 segundos | 16 segundos | 16 segundos | 17 segundos |
| Premiere | 20 segundos | 17 segundos | 18 segundos | 17 segundos |
Considerações finais
Desde a nossa análise anterior da Zapping, vimos mais continuidades que melhorias. Mesmo assim, não percebemos maiores regressos, o que torna o saldo da operadora bastante positivo. Ainda mais por manter a boa qualidade de imagem, a navegação bastante fluida e o atraso baixo.
Como evoluções, vimos a interface da versão web receber os recursos dos apps de TV e dispositivos móveis, além do aumento da grade de canais. Mesmo assim, ela ainda fica bem abaixo das concorrentes, sem emissoras como as de filmes da Warner Bros Discovery e a ESPN 4.
Para o futuro, falta a provedora trabalhar em uma versão final do Modo Turbo que forneça um delay similar ao da Ge TV a pelo menos todas as emissoras com programação ao vivo. Fora a inclusão das legendas eletrônicas nos canais de filmes e séries.
Apesar de não ser a proposta da companhia, ter uma área com os títulos sob demanda pode complementar o serviço. Sem falar na disponibilidade de sinais em 4K de forma linear, e não apenas em ocasiões especiais.
A SKY Mais seria uma alternativa mais interessante à Zapping? Ela possui os conteúdos on demand e uma grade de canais recheada, só que peca na interface mais carregada e no atraso ligeiramente maior.
E o app Claro tv+? Esta também fornece uma experiência mais completa na quantidade de emissoras e no catálogo sob demanda, com assinaturas de outros streamings inclusas e conteúdos em 4K. Mas fica atrás no delay bem superior e na troca de canais menos intuitiva no aplicativo para dispositivos móveis.
Fonte: TudoCelular