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Os dez chifres profetizados por Daniel
Os dez chifres profetizados por Daniel

Quatro bestas vistas por Daniel. (Hans Holbein the Younger)

 

Análise contextual de Daniel 7.20.

 

“…quis saber sobre os dez chifres da sua cabeça e sobre o outro chifre que surgiu para ocupar o lugar dos três chifres que caíram, o chifre que era maior do que os demais e que tinha olhos e uma boca que falava com arrogância.” (Daniel 7.20)

 

Pode parecer um pouco complicado, mas o contexto vai nos ajudar a entender o que está por trás dessa simbologia. Vamos lá?

Primeiro, é importante saber que o livro de Daniel é histórico e profético ao mesmo tempo. E o seu “caráter escatológico” revela o propósito de Deus para o mundo. O profeta traz revelações através de sonhos, visões, sinais, símbolos e números. E, em todo o tempo, é possível perceber que Deus está no controle de todas as coisas, até nos mínimos detalhes, governando e julgando as questões humanas.

 

Contexto histórico

 

Daniel escreveu o livro durante todo o período do exílio babilônico, por volta de 600 a.C., sob o reinado de Nabucodonosor. Passou pelo período em que os impérios da Média e da Pérsia derrubaram a Babilônia, ocupando então o lugar de potência mundial, com uma cultura totalmente diferente.

Os babilônios tinham parentesco com os semitas, mas os medos e os persas eram ligados aos povos hindu-europeus. Falavam uma língua diferente e eram ainda mais severos em suas leis. Atualmente, os persas são as pessoas que vivem no Irã.

 

Sonho de Daniel

 

No capítulo 7, onde está o nosso texto de referência, conta sobre as visões e sonhos que Daniel teve naquela ocasião. Só é possível desvendar a questão dos chifres, compreendendo todo o contexto da revelação. Ele viu “os quatro ventos do céu agitando o grande mar e quatro grandes animais subindo desse mar” (Dn 7.2-3).

 

Sobre a simbologia do vento

 

Toda vez que aparece a palavra “vento” numa profecia, quer dizer que haverá movimentos políticos e diplomáticos que vão afetar a humanidade. Veja isso através de uma das profecias de Jeremias:

“Assim diz o Senhor dos Exércitos: Vejam, quebrarei o arco de Elão, a base de seu poder. Farei com que os quatro ventos, que vêm dos quatro cantos do céu, soprem contra Elão.” (Jeremias 49.35-36)

Ou seja, Elão que era um distrito babilônico naquela época, se dispersou, seus líderes foram destruídos e os exilados foram espalhados pelo mundo.

Quer dizer que o “vento” é uma sentença de Deus contra algum reino ou liderança política. E o que o vento faz? Ele desorganiza tudo, ele espalha todas as coisas, nesse caso, pessoas. Essa é a simbologia do vento dentro de uma profecia.

E quando Deus sopra uma sentença contra uma nação, o povo sente essa ventania em forma de tempos difíceis – que pode envolver tempos de guerra, crise de refugiados, problemas econômicos e insegurança alimentar.

 

Ventos do céu agitando o grande mar

 

Quando Daniel teve essa visão, ele via a humanidade agitada, ele teve uma visão sobre os povos, sobre as pessoas. Veja como o profeta Isaías também falou sobre isso:

“Ah! O bramido das numerosas nações; bramam como o mar! Ah, o rugido dos povos; rugem como águas impetuosas!” (Isaías 17.12)

Então, quando o agir de Deus (representado pelos quatro ventos do céu), agita as nações (que são representadas pelo mar), quatro grandes reinos se levantam (que são representados pelos animais). Veja que isso não acontece de uma só vez. Cada reino permanece durante um tempo.

Segundo o teólogo Luiz Sayão, em seu programa Rota 66, os quatros reinos são Babilônia, Medo-Pérsia, Grécia e Roma.

Primeiro animal – Parecia um leão (animal majestoso) e tinha asas de águia (Dn 7.4). É a Babilônia. E, possivelmente, as “asas de águia” indicavam sua grandeza e glória. Lembrando que essas “asas” foram arrancadas quando Nabucodonosor passou a viver como um boi, comendo capim. Veja alguns detalhes da profecia:

“Eu o observei até que as suas asas foram arrancadas, e ele foi erguido do chão de modo que levantou-se sobre dois pés como um homem, e recebeu coração de homem.” (Daniel 7.4)

Essa passagem indica o momento em que termina o período de “sete tempos” da punição contra o rei, por conta do seu orgulho. Ele realmente viveu como um animal durante sete anos, para que reconhecesse a soberania de Deus.

Segundo animal – Parecia um urso e tinha entre os dentes três costelas (Dn 7.5) é a *Medo-Pérsia e estas três costelas são três conquistas: Babilônia, Lídia e Egito.

*A união do Reino da Média com a Pérsia (atual Irã) originou o Reino Medo-Pérsia.

Terceiro animal – Parecia um leopardo (animal veloz e feroz), com quatro asas e quatro cabeças (Dn 7.6). É a Grécia. As quatro asas, segundo alguns estudiosos, simbolizam a velocidade com que “Alexandre, o Grande” conquistou o mundo e fundou a Alexandria. Após sua morte, porém, na ausência de herdeiros, o império foi dividido em quatro setores e seus governadores foram: Cassandro, Lisímaco, Seleuco e Ptolomeu. Os quatro eram generais de Alexandre.

Quarto animal – Era diferente dos demais e tinha dez chifres. Aterrorizante, assustador e poderoso (Dn 7.7). É uma referência a Roma. A divisão do Império Romano começou com a invasão de tribos bárbaras. Há quem diga que as tribos foram 10.

 

Voltando ao tema dos 10 chifres

 

Quando Daniel teve essa visão, a Babilônia ainda era a potência mundial. É importante destacar o capítulo 2 de Daniel, que fala sobre o sonho do rei Nabucodonosor – sobre uma estátua feita de ouro, prata, bronze e ferro.

Esses elementos são equivalentes aos animais. A cabeça de ouro representava a Babilônia, o leão, e é por isso que o rei ficou envaidecido e passou a exigir a adoração do povo.

O peito e os braços de prata representavam a Pérsia, o urso. O ventre e os quadris de bronze representavam a Grécia, o leopardo. E as pernas de ferro, com os pés – parte de ferro e parte de barro, representavam Roma, o quarto animal que tinha 10 chifres.

 

Sobre os chifres

 

O texto que estamos estudando mostra alguns detalhes bem interessantes. Vamos relembrar aqui:

“…quis saber sobre os dez chifres da sua cabeça e sobre o outro chifre que surgiu para ocupar o lugar dos três chifres que caíram, o chifre que era maior do que os demais e que tinha olhos e uma boca que falava com arrogância.” (Daniel 7.20)

O outro chifre pequeno que surgiu entre os dez que já existiam, ocasionou a retirada de três chifres (Daniel 7.8).

Chifre na Bíblia representa poder, liderança e governo. As cabeças simbolizam nações ou reinos. Então, tudo indica que estamos falando de governantes que, naquela época, eram chamados de reis e, hoje em dia, são mais conhecidos como presidentes.

O cumprimento da profecia sobre o pequeno chifre, para aquela época, pode ter sido cumprida na figura de Antíoco Epifânio, que chegou a sacrificar porcos no Templo em Jerusalém.

Mas, sabemos que o capítulo 7 do livro de Daniel está falando também sobre o fim dos tempos. E, como sempre devemos relembrar, as profecias podem ser cumpridas na época em que foram anunciadas e também num futuro distante.

 

Veja que Daniel dá mais explicações sobre a profecia dos 10 chifres:

 

“O quarto animal é um quarto reino que aparecerá na terra. Será diferente de todos os outros reinos e devorará a terra inteira, despedaçando-a e pisoteando-a. Os dez chifres são dez reis que sairão desse reino. Depois deles um outro rei se levantará, e será diferente dos primeiros reis. Ele falará contra o Altíssimo, oprimirá os seus santos e tentará mudar os tempos e as leis. Os santos serão entregues nas mãos dele por um tempo, tempos e meio tempo.” (Daniel 7.23-25)

Perceba que os 10 chifres estão relacionados ao quarto animal, que representa o Império Romano. E como vamos entender essa profecia para o tempo do fim, se esse reino não atua mais?

 

Império romano nos dias de hoje

 

Segundo o professor Luiz Sayão, embora o mundo não seja mais controlado pelo Império Romano, como antigamente, ele ainda vive sob a influência dele.

Nenhum outro grande império foi levantado desde então. Dizemos que o mundo é globalizado, mas ainda existem vários poderes. A Bíblia diz que vai chegar o tempo em que o poder estará novamente nas mãos de um único reino e que tudo será centralizado num único líder, que as Escrituras chamam de anticristo – o pequeno chifre que cresceu (Dn 7.8).

 

10 chifres nos dias de hoje

 

Podem estar representados na figura de 10 nações, líderes ou blocos que se unem por um mesmo propósito. Contextualizando a profecia, o chifre pequeno que se une a eles, faz com que três sejam derrubados.

Essa nação ou esse líder cresce ao ponto de dominar a todos, realizando então o que diz a Palavra:

  • Ele vai guerrear contra os santos, ou seja, haverá uma intensa perseguição aos cristãos, no mundo inteiro.
  • Falará contra o Altíssimo, tentará mudar os tempos e as leis. Imagine um governo global anti-Deus lidando com datas cristãs como o Natal (nascimento de Jesus) e a Páscoa (ressurreição).

Além disso, no livro de Apocalipse, existem profecias com as mesmas informações sobre o tempo do fim.

 

Resumindo

 

O texto que acabamos de estudar é escatológico e a simbologia dos chifres nos remete a pensar em movimentos e alianças políticas que ainda vão acontecer. Ou, até podem já estar acontecendo em nossa geração, de alguma forma, preparando o cenário para o tempo do fim.

Seja como for, esse quarto reino que se levantará através de acordos entre nações e presidentes não vai resistir ao poder de Deus. Veja o que a Bíblia diz:

“Mas o tribunal o julgará, e o seu poder será tirado e totalmente destruído para sempre. Então a soberania, o poder e a grandeza dos reinos debaixo de todo o céu serão entregues nas mãos dos santos, o povo do Altíssimo. O reino dele será um reino eterno, e todos os governantes o adorarão e lhe obedecerão.” (Daniel 7.26-27)

 

Fonte: Gospel Prime - Cris Beloni

 

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