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Dogmatismo político e fé cristã
Dogmatismo político e fé cristã

 

A religião é dogmática. Possui sua estrutura de fé baseada em fundamentos não explicáveis pela visão puramente humana e natural. Ha um envolvimento espiritual/emocional/intelectual/social que leva à formação de cosmovisão e comportamentos religiosos, todos em sua gênesi a fé como elemento primordial.

Sem uma compreensão do sobrenatural é difícil compreender determinados dogmas de fé que compõem a religião. Não é possível analisar a religião sem levar em conta o contexto espiritual. Mas a espiritualidade e a “certeza do que não se vê” (FÉ) sempre será parte integrante e indissolúvel da religião.

O impressionante é que da mesma forma que existem dogmas de fé (certezas de fé) na religião que não são explicáveis pelo viés natural/humano, podemos observar também aspectos bem semelhantes ocorrendo em sistemas ideológico-políticos. Uma espécie de formatação religiosa da mente de seguidores políticos, onde contextos e dogmas criados em ambientes de fé são transferidos e também sistematizados politicamente. Não existe a presença do sagrado, do transcendente, mas mesmo assim o dogma é criado e vivido exatamente como se religioso fosse.

Para exemplificar uso um dos dogmas mais fundamentais para o cristianismo: A infalibilidade de Cristo. Para o Cristão, Jesus nunca errou e nunca erra em suas ações, pensamentos e intenções. Jesus é infalível, nunca erra e nunca errou.

Por sua vez, mais tarde na história a igreja católica, cria dentro deste mesmo viés de fé o dogma da infalibilidade papal. Ou seja, o papa em comunhão com o sagrado magistério, quando delibera e define solenemente algo em matéria de fé ou moral, ex cathedra, é infalível e nunca erra.

O que vemos em comportamentos de seguidores de “seitas” políticas que atribuem um messianismo infalível ao seu político predileto é mais uma vez a estruturação mental psicossocial e “religiosa” da transferência desse dogma religioso.

O político, para o fiel seguidor dele é infalível. O líder político messiânico não erra jamais pois “sabe o que está fazendo”. Ocorre que no meio de seita política cria-se a “doutrina da infalibilidade do político” da mesma forma que na religião. Tudo que o político faz tem uma justificativa, se ele roubou teve um objetivo maior, melhor, mais nobre. Se ele matou, é porque precisava e isso foi necessário dentro de um contexto cultural histórico. Se ele agiu daquela forma, é porque ele sabe mais do que você e você não tem o direito nunca de discordar do infalível, inerrante e perfeito “Vossa Excelência.” A seita não enxerga o político como funcionário do povo mas como Messias salvador da pátria, por isso a necessidade do dogma da infalibilidade dele para justificar que ele estará sempre certo, e se você discordar dele você está mal informado ou é um herege para a seita que sempre se comporta como manada.
Malabarismos hermenêuticos e exegéticos são feitos imediatamente para criação de narrativas retóricas que justifiquem a “infalibilidade política” do ser supremo e possuidor da captação da confiança cega de todos os fiéis seguidores. (Isso não é política! É religião!)

Esse dogma da fé na política é uma postura completamente anti-conservadora. Conservadores em sua gênese tem por princípio o ceticismo político e a eterna desconfiança na bondade ou assertividade inerente ao ser humano. Pressupostos Russeauneanos jamais podem ser adotados por alguém que se diz conservador, e conservador cristão mais ainda, pois a Bíblia deixa muito claro a falibilidade do gênero humano e a necessidade de auto vigilância constante.

O messianismo político criado pelo ambiente cultural de necessidade de salvação da corrupção, do atraso, ou até mesmo das ideologias contrárias, gera certo desespero que por sua vez gera a fé cega que cria a doutrina da infalibilidade do político. O desespero por salvação do que representa o opositor ideológico e a fé cega acaba gerando esse tipo de dogma religioso em um sistema não-religioso: o Sistema Político, independente da matiz ideológica, se é à direita ou à esquerda.

Da mesma forma que raciocínios teológicos/filosóficos são criados para justificar os dogmas religiosos da infalibilidade de Jesus e do Papa, temos uma infinidade de tentativas retóricas narrativas de se fazer o mesmo em se tratando daquele político que já fora elevado a uma condição de messias no coração do fiel seguidor político. Afinal ele já se tornou no coração do seguidores o messias salvador da humanidade, não pelo viés espiritual, mas agora material político-ideológico.

Fé na política não é uma característica cristã, nunca foi e nunca será. Fé em políticos, identificando-os com uma aura messiânica e salvífica não faz parte do arcabouço moral ético e espiritual cristão. No cristianismo, quando isso acontece chamamos de IDOLATRIA.

Então se você é cristão, quero lembrá-lo de que somente em Jesus você encontrará salvação messiânica e eterna. Somente nele sua fé cega deve ser depositada e somente ele trará paz aos corações, e... principalmente: somente Jesus é infalível e nunca jamais errou ou errará. Fora desse “dogma” todos os demais são sucetíveis a erros, falhas e pecados. Não se engane! Não seja mais um idolatra! Nenhum político é 100% confiável ou infalível.
Acorde!!!! Enquanto ainda é tempo...

 

Autor: Pr. Tcharley Amaral

Fonte: Tcharley Amaral

 

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