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A última bolacha do pacote
A última bolacha do pacote

Jovem segurando uma bolacha Oreo. (Foto: Tim Foster / Unsplash)

 

O evangelho fala de renúncia

 

Antes de mais nada, quero me defender dizendo que este texto não é uma discussão sobre qual termo é o correto: Bolacha ou Biscoito. Eu como uma legítima gaúcha, chamo essa mistura de farinha de quaisquer cereais, com ou sem açúcar, gordura ou levedura de bolacha.

Vale esclarecer que ambos os termos estão corretos e fazem parte da língua portuguesa, bem como são aceitos pelos fabricantes desses produtos. Tá Priscila, e o que isso tem a ver com o texto em questão? Nada. Então chega de enrolação e vamos ao que interessa.

Na minha época de adolescente usávamos muito esse termo “Tá se achando a última bolacha do pacote” quando queríamos nos referir a alguém que estava querendo ser o centro das atenções, o bonzão da turma, o exibido, sabe tudo. E pior que sempre tinham aqueles que contribuíam para a pessoa se achar, os puxa sacos.

Não adianta, sempre vamos ver essas bolachas por aí. O que me deixa estarrecida é a quantidade de igrejas, pastores, ministérios que estão tratando os crentes da mesma forma. Afirmando constantemente aos seus membros ou mesmo aos inscritos nos seus canais do Youtube o quanto são pessoas super ultra mega especiais, exclusivas, o supra sumo gospel, as mimadinhas de Jesus.

Mensagens no estilo coaching estão em alta, jargões como “você é especial, Deus vai te colocar no topo” e mensagens motivacionais que visam levar as pessoas a descobrirem o melhor de si para alcançarem o que desejam.

Quero dizer com isso que não somos especiais para Deus? Claro que somos. Somos a sua criação, Cristo deu a vida por nós, Ele nos ama. O que está em jogo aqui é justamente a nossa natureza humana que adora ter o ego massageado, que não tolera ser contrariado ou confrontado.

Você vê isso o tempo todo nas postagens “lacradoras” do tipo: “Ninguém pode me julgar” ou “Jesus amava as pessoas, Ele nunca julgou. Quem é você pra dizer que estou errado.” Essas ideias humanistas estão minando nossas igrejas e líderes estão cada vez mais acuados tentando ser politicamente corretos.

Sou líder do ministério de adolescentes na minha igreja há 10 anos e nosso maior desafio nos últimos tempos tem sido lidar com essa geração mimada e seus pais super protetores. Nas pesquisas que fazemos com os Teens, como chamamos os adolescentes, uma boa parte reclama das mensagens serem muito “pesadas”, que as vezes somos muito “duros”, que as coisas poderiam ser mais flexíveis. Quem lê isso até pensa se tratar de legalismo da nossa parte, de líderes que oprimem por meio da religião e da culpa. Que nada gente. Nós só pregamos o evangelho.

O problema pra galera, é que o evangelho fala de renúncia, de matar o velho homem, de pureza sexual. Nada disso está na moda hoje.

Não vamos longe, os crentes adultos são “bolachas” ainda mais complicadas de lidar hoje em dia. Trocam de igreja como trocam de roupa. Basta não se agradar do estilo do louvor ou o pastor não me visitar, basta um diácono chamar atenção do meu filho que não parou de incomodar durante o sermão do pastor ou qualquer pequeno incomodo e eu simplesmente mudo de igreja. Afinal, existem tantas por aí. Essa igreja é muito fria, esse pastor não tem unção, esse ministério infantil não agradou meu filho e por aí vai.

Concluo com uma frase de Jesus em Marcos 8:34-35 que reflete bem a essência do evangelho genuíno: “Então ele chamou a multidão e os discípulos e disse: “Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida a perderá; mas quem perder a sua vida por minha causa e pelo evangelho a salvará”.

Eu até posso me achar a última bolacha do pacote, mas que eu tenha a clareza de que a última bolacha vem sempre quebrada ou esfarelada, amassada no fundo da embalagem. Aí sim vou viver João 3.30: “É necessário que ele cresça e que eu diminua”.

 

Fonte: Gospel Prime - Priscila Almeida